Cafuza, a cerveja brasileira que é o retrato da nossa miscigenação

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destaque

Outro dia, no bar do Oliver (De Bruer), bebemos uma cerveja que é uma lenda entre os cervejeiros brasileiros. O nome, o rótulo, seu estilo, tudo é especial na Cafuza. Criada por dois paneleiros (como chamamos iniciantes criadores de receita cervejeira) a Cafuza surgiu em 2012 e hoje com a chegada de outro paneleiro amigo ela é produzida pela novíssima Cervejas Sazonais em parceria com a Cervejaria Invicta. Levamos um papo com Leonardo Satt que conta a história do inicio de sua paixão por artesanais e a evolução da Cafuza no meio cervejeiro. E, nós Lupulinas, damos a dica certeira: quando encontrar uma Cafuza não deixe pra depois! Ela tem uma personalidade única, o equilíbrio perfeito entre malte e lúpulo e, embora, tenha 8% de teor alcoólico o que fica na boca é um gosto de malte torrado, chocolate e lúpulo. Ela é uma das melhores artesanais que experimentamos pelo mundo. Uma delícia, não só para quem é lupulomaníaco, mas também para quem aprecia a arte de fazer uma cerveja realmente redonda.

Lupulinas – Como foi que voce se apaixonou por cerveja a ponto de querer produzir a sua propria?
Leo – Nunca fui de beber muita cerveja. Na faculdade bebia apenas socialmente mesmo, em alguns eventos e festa. Na verdade eu não gostava de cerveja. Até descobrir a cerveja artesanal. Ai descobri pq não bebia cerveja, pois só conhecia as comerciais de massa sem sabor. Isso foi em 2007. Não tenho certeza qual foi minha primeira cerveja especial que tomei, mas há grandes chances de ter sido uma Erdinger. Desde então comecei a vasculhar blogs e fóruns de cerveja, e procurar novos rótulos e novas lojas, pois essa época era muito escassa de variedades. Até que em algum fórum alguém disse que fazia sua própria cerveja.

Lupulinas – Quais cursos fez ou o que voce leu pra chegar ao conhecimento que tem do processo de criação e produção de uma receita?
Leo – Em 2007 comecei a pesquisar sobre o assunto. Fiz um curso básico de produção no Bar Brejas, em Campinas, em 2010, pois não existia curso na cidade de São Paulo ainda, comecei a ler todos os livros disponíveis até então, entre eles o mais famoso HOW TO BREW, do John Palmer, até que comprei os equipamentos e comecei a produzir. As primeiras levas não ficaram exatamente como eu esperava mas estavam bebíveis. Acredito que só após a 5ª leva que as pessoas começaram a gostar da minha cerveja. E o aprendizado continua até hoje, sempre que algum livro é lançado fora do Brasil (pois a disponibilidade aqui ainda é muito pequena) eu compro.

Lupulinas – Em nossa opinião, a Cafuza é uma das melhores cervejas que experimentamos. Conte a historia de sucesso vertiginoso que a Cafuza teve.
Leo – O legal desse meio é sempre conhecer pessoas novas. Conheci muita gente nesse meio, e muitos até se tornaram amigos. E em muitas vezes chamamos esses amigos em casa para brassarmos juntos, fazer um churrasco, beber cervejas de outras levas. Uma vez eu comprei um pacote de 250g de lúpulo (pacote fechado) para fazer uma imperial IPA, mas como era muito lúpulo para 20L, dividi o pacote com o Bruno Moreno, que queria fazer uma India Black Ale. Foi ai que surgiu a idéia de fazermos uma Imperial India Black Ale, colaborativa entre nós dois. O Bruno montou a receita e eu o processo de produção, entre temperaturas de brassagem e fermentação. A partir daí foi natural o nascimento da Cafuza, uma miscigenação de India com Black. Fizemos várias levas, alguns ajustes, e enviamos garrafas para conhecedores de cerveja, donos de bares, sommelieres, e tivemos um retorno muito positivo da parte de todos.

Lupulinas – Como uma parceria se estabelece na criação de uma cerveja?
Leo – O sonho de quase todo cervejeiro caseiro é ter uma cervejaria, e isso não necessita de enormes e caros equipamentos. Eu tenho a minha cervejaria que se chama Prima Satt, e o Bruno tem a Serra de Três Pontas. Numa dessas brasagem em conjunto, chamamos o Luciano Silva, da Cervejaria Noturna, para brassarmos no mesmo dia da Cafuza, outra cerveja, a Mameluca (uma Rye India Pale Ale). Começamos as 8:30 e acabamos as 20:00h. A entrada dele foi natural, e nesse momento soubemos que poderíamos nos juntas oficialmente para criar a Cervejas Sazonais, uma Holding cervejeira, composta pelas cervejarias: Serra de Três Pontas, Noturna e Prima Satt.

Lupulinas – as primeiras produções da Cafuza foram de panela. Depois voces partiram para uma associação com a Cervejaria Nacional e serviram Cafuza na torneira. Agora a remessa nasce de uma nova companhia e em parceria com a Invicta. Quantos foram os litros produzidos em cada fase e quais são os projetos da nova Cervejas Sazonais?
Leo – Depois da repercussão que a Cafuza fez, fomos convidados pela CN para produzir 400L (que eles chamam de Sazonal). O dia do lançamento foi uma festa bem agradável, com muitos familiares e amigos presentes. Então começamos a visitar cervejarias que estivessem dispostas e que tivessem capacidade para produzir a Cafuza, até que chegamos na Invicta. Foi uma brasagem difícil, pois precisamos brassá-la 3 vezes para encher o fermentador de 3.000L. Começamos na quinta feira as 14:00 e acabamos na sexta as 18:00. Paramos apenas para dormir.

Lupulinas – Como os sócios se dividem nas funções que são necessárias em uma micro cervejaria artesanal?
Leo – Todos fazem de tudo um pouco. Trabalhamos sob demanda e todos se ajudam para nos sobrecarregarmos por igual. Como fazemos parceria com microcervejarias, conseguimos focar mais nos produtos em produção, produtos e a serem lançados, vendas, promoção de vendas, distribuição, e menos na administração do negócio em si como compra de insumos, processo de produção (apesar de acompanharmos o processo todo).

Lupulinas – A Cervejas Sazonais tem a radicalidade de suas receitas já como marca. Fale sobre as maravilhas que voces já fizeram em conjunto ou separadamente e quais escolas cervejeiras fazem a cabeça de voces.
Leo – Temos uma pequena queda pela escola Americana, mas o mercado cervejeiro é muito amplo e queremos abranger a maior quantidade de estilos possíveis, e quem sabe, criar alguns novos, mantendo sempre a personalidade. Esse é e será um grande desafio para nós pela restrição de equipamentos disponíveis no Brasil para as loucuras que queremos criar. Mas não será impeditivo.

Lupulinas – Como voce mesmo diz, os planos são muitos e podemos esperar grandes lançamentos radicais. Lança uns spoilers pro nosso leitor…
Leo – O próximo lançamento será a Green Dream, da Cervejaria Noturna, uma IPA com 7,5% ABV e 80 IBUs (International Bitterness Units). Mas temos algumas (muitas) receitas prontas e outras em desenvolvimento nos melhores laboratórios cervejeiros existentes, que são as cozinhas de nossas casas.

Lupulinas – Nós, Lupulinas, adoramos um rótulo criativo e bem excecutado. Percebemos que voces tambem! Quem fez o rótulo da cafuza?
Leo – Cilmara, com relação ao rótulo da Cafuza, queríamos mostrar realmente a obra de arte que é essa miscigenação dos nosso povo. Esse é um quadro antigo, com mais de 150 anos, e achamos que representaria bem a ideia que gostaríamos de passar, da mistura de negros e índios.

Cafuza
Estilo: Imperial India Black Ale
ABV 8,5%
IBU 110
produzida pela Cervejas Sazonais em parceria com a Cervejaria Invicta

Fotos: Divulgação.

O maior encontro da cerveja artesanal brasileira

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festblumenau

O mundo cervejeiro está em expectativa e trabalhando para tudo dar mais que certo no Festival Brasileiro da Cerveja, no Parque Vila Germânica, em Blumenau, entre os dias 12 e 15 de março. Além do crescimento em número de estandes e publico esperado, o Festival é o lugar onde lançamentos são feitos, palestras ampliam o conhecimento dos iniciados, shows garantem a diversão e prêmios são disputados.

Na programação das sete palestras e dois debates deste ano, a organização fez uma parceria com a Escola Superior de Cerveja e Malte, lançada nas últimas semanas na cidade e primeiro curso de nível superior da América Latina. A legislação das microcervejarias e as tendências do mercado são alguns dos assuntos que serão discutidos. A programação completa das palestras e debates você encontra aqui.

A premiação principal – II Concurso Brasileiro de Cerveja – será apresentada pelo Sady Homrich, baterista do Nenhum de Nós, e conhecido no mundo cervejeiro pelo seu amor e conhecimento às artesanais.  Este ano, 414 rótulos de 83 cervejarias disputam os prêmios, 92% a mais do que na primeira edição em 2013. Estes números mostram o crescimento do mercado, da própria indústria e o reconhecimento desta pelo evento. Trinta jurados farão esta escolha e sete profissionais são estrangeiros vindos do Chile, Argentina, Uruguai, Alemanha e Itália. Os 23 demais são brasileiros e se dividem entre sommeliers de cerveja, mestres cervejeiros e especialistas.

Mas não é só este prêmio que está sendo disputado este ano. A AcervA Catarinense e o Beer Judge Certification Program (BJCP) realizarão três exames para certificar juízes internacionais de cerveja. Essa certificação amplia o profissionalismo nas competições brasileiras.

A Cervejaria Colorado entregará o prêmio Randy Mosher de Design de Rótulos colocando em foco um dos aspectos mais interessantes desta indústria: a não padronização e a criatividade que este mercado aprecia. Serão dois prêmios: rótulos de linha e de bandas. Randy Mosher é um dos mais importantes designers de rótulos do mundo e é o responsável pelo famoso urso da Colorado e estará no Brasil presidindo este júri.

Dois palcos foram montados para receber 26 grupos de variados estilos musicais que têm ligação com o mundo cervejeiro. A programação está aqui. Oito pontos gastronômicos disputarão também a preferência do público servindo petiscos, pratos e salgadinhos que combinam com os tipos de cerveja que estarão no festival. Os restaurantes e pratos que poderão ser saboreados estão nesta lista aqui.

Em Blumenau também será o lançamento da Eisenbahn American IPA, com receita dos mineiros Fabert Araujo e André Canuto, vencedores do IV Concurso Mestre Cervejeiro Eisenbahn, novo rótulo que estará à venda nos mercados em abril. Num evento paralelo e aproveitando a presença de todos em Blumenau a nova Eisenbahn será degustada e festejará a parceria entre cervejeiros caseiros e a indústria.

Outro evento que não é aberto ao público, mas é um dos mais importantes que acontecerão estes dias em Blumenau, é a eleição da primeira diretoria da novíssima Associação Brasileira de Microcervejarias. A união de todos os produtores numa associação só fortalece negociações que terão que ser feitas visando a diminuição do preço das artesanais brasileiras e outras questões que cercam os microcervejeiros brasileiros.

Enfim, Blumenau será a capital das artesanais brasileiras entre o 12 e 15 de março e o publico pode comprar seu ingresso antecipado na internet evitando filas neste site. O preço de 12 reais inclui um copo e menores de 18 anos só entram acompanhados pelos pais.

As Lupulinas estarão em Blumenau e vão contar na semana que vem tudo o que rolou por lá.

Festival Brasileiro da Cerveja
Data/horário: 12 a 15 de março de 2014 (de 12 a 14 a partir das 19h e no dia 15 a partir das 15h)
Local: Parque Vila Germânica, em Blumenau (SC)
Mais informações: www.festivaldacerveja.com

 

 

Chuva, Suor e Cerveja: as boas deste carnaval

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boteco com way

O Carnaval tai e folionas e foliões já começam a ocupar alegremente as ruas. Esta é a época do ano em que Os Grandes da Indústria Cervejeira investem pesado no marketing da festa, na mulherada com bunda de fora, em blocos de rua, camarotes e associam suas marcas ao hedonismo e à zueira. Essas cervejas abundam no Carnaval e nós, Lupulinas, não estamos interessadas nelas.

Nós, que gostamos de cervejas artesanais e também de carnaval, precisamos lançar mão de alguns truques e recursos para aproveitar a festa com cervejas mais ao nosso gosto. Aqui vão umas dicas:

1. Aproveite a moda dos rolês do isoporzinho e leve suas favoritas para a rua, devidamente refrescadas num cooler ou isopor. Carregue-as para o bloco, pra dividir com amigos e amigas. Deposite os cascos vazios em local apropriado para reciclagem. Limpe depois toda sua sujeira.

2. Cole em algum bloco que passe perto de bares que vendam cervejas artesanais e assim se abasteça no meio da folia. Não mije na rua.

3. Se for assistir desfiles pela TV, encha a geladeira com delicinhas artesanais, convide a galera (e que ela venha também com cervejas boas) e seja você o rei do seu camarote. Trate bem os convidados e sirva petiscos pro pessoal não queimar a largada.

4. Se você for fugir da folia e se isolar num sítio, não se esqueça de levar caixas e caixas de artesanais para viagem e não as deixe sofrer com o sol e o calor. E se beber, não dirija.

5. Se for fazer um churrasco, peça chopp artesanal para sua festa. Há micro-cervejarias que distribuem seus barris também para pessoas físicas, como a Bamberg Express, aqui em SP.

6. Muitos supermercados de rede vendem artesanais, inclusive geladas. Se você der sorte, pode achar algumas nas prateleiras enquanto dá aquela escapadinha da folia para dentro do mercado. Rótulos como Eisenbanh, Colorado e Baden Baden são os mais fáceis de encontrar.

Por fim, recomendamos os estilos mais leves e menos alcoólicos, ideais para quem vai passar o dia inteiro bebendo, provavelmente, sob forte calor. Lagers, Pilseners, Weizen/Weiss e Pale Ales. Ah! E não esqueçam da água que dá aquela qualidade de cervejeiro fundista.

 

Sugestões : (escolhemos cervejas mais fáceis de encontrar nas prateleiras dos supermercados – somente brasileiras)

Eisenbahn Pilsen (latão especial de 473ml)
Way Pale Ale
Way Premium Lager
Bamberg Kolsch (sazonal de carnaval)
Bamberg Camila Camila
Colorado Appia
Baden Baden Cristal
Amazon Taperebá Witbier

 

Lager: a favorita da galera

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Muita gente fica confusa quando o assunto é o tipo da cerveja que bebemos ou queremos beber. Básicamente as cervejas podem ser lagers ou ales. Vamos, neste post, falar só das lagers que são as cervejas mais consumidas do mundo. No Brasil, só pra dar idéia da popularidade, 99% das cervejas consumidas são do tipo lager (e industrializadas, já que o hábito de beber artesanais, embora cresca ano a ano, ainda não faz parte do dia a dia do brasileiro, por inumeros motivos que ainda abordaremos aqui no Lupulinas).

Basicamente, o que diferencia uma ale de uma lager é o processo de fermentação das cervejas. As ales passam por um processo de alta fermentação em temperatura ambiente. As lagers são menos fermentadas e o processo ocorre sob temperaturas frias. Graças a este processo de (baixa) fermentação, as cervejas estilo lager resultam geralmente mais límpidas e menos opacas. Quanto à coloração as lagers variam, de amarelo claro até completamente pretas e, em geral, são menos alcoólicas que as ales. Outra diferença entre os dois tipos é que a levedura é colocada acima do mosto nas ales e abaixo dele nas lagers.

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Outro ponto é que, graças sua leveza, as lagers pedem para ser bebidas refrigeradas, enquanto as ales devem ser servidas em temperatura ambiente. Obviamente essa observação é um tanto eurocêntrica. Aqui no Brasil, a verdade é que refrescamos as ales e gelamos as lagers porque o calor de verão assim exige. Tudo é adaptação.

Para melhor explicar os tipos e subtipos de cerveja lager, resolvemos emprestar esse infográfico bacaninha do livro “Brasil Beer – O guia das cervejas brasileiras“.

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Pois então, camaradas, temos lagers escuras (bocks e dunkels), douradas (vienna) e as claríssimas (dortmund e pilseners). Elas variam também na adição de lúpulos, com o amargor variando de 8 a 35 IBU (exceto as tchecas, mais lupuladas, que alcançam 45 IBU).

Talvez o mais conhecido subtipo de lager dos brasileiros seja a pilsener (também chamada de pilsen), bem clara, não muito amarga e levemente aromática. Ela deve seu nome a cidade de Pilsen, República Tcheca, onde foi criada em 1842 por um cervejeiro local, da região da Bohemia. Mas o que as indústrias no Brasil afirmam ser pilsen soaria como insulto entre os tchecos. A mistura de milho descaracteriza totalmente a pilsen brasileira industrial.

Nós, Lupulinas, gostamos especialmente das tchecas. Fomos até Praga em busca de suas famosas lagers. No Pivovarský Dům (literalmente, “Casa do Cervejeiro”), bar-cervejaria não muito longe do centro, experimentamos duas clássicas lagers tchecas: a clara e a escura (há também a opçao de misturar as duas). Bebidas assim, fresquíssimas, direto da torneira onde os caras fabricam a cerveja, é uma experiência única. A cervejaria não envasa, mas você pode levar um growler pra casa ou para o hotel (falaremos mais de Praga em outro post).

Outra famosa e deliciosa cerveja que provamos em Praga foi a lager do U Fleku, bar-cervejaria perto do Teatro Nacional. A U Fleků Flekovský Tmavý Ležák 13° (sim, é este o nome da cerveja) é bem escura, límpida, redondíssima, leve e só encontrada em suas torneiras (eles não engarrafam).

A verdade é que há um mundo de lagers a ser explorado e para isso selecionamos algumas artesanais brasileiras para a galera:

LAGERS ARTESANAIS BRASILEIRAS (tipo e estado em que são porduzidas)

Biritis – Vienna Lager – RJ
Way Premium Lager – Premium American Lager – PR
Way Beer Amburana Lager – maturada em barril de amburana – PR
Schornstein Pilsen – American Lager – SP
Backer Capitão Senra – Amber Lager – MG
Baden Baden Crystal – American Lager – SP
Bamberg Camila Camila – Bohemian Pilsen – SP
Colorado Cauim Pilsen – Pilsener com féculas de mandioca – SP
Coruja Extra Viva – Lager Premium – RS
Jan Kubis – Amber Lager – PR
Eisenbahn Pilsen – Lager – SC
Eisenbahn 5 – Amber Lager com dry hopping – SC
Falke Bier Red Baron – Vienna Lager – MG
Invicta – German Pilsener – SP
Mistura Clássica Mary Help – Vienna – RJ
Morada Double –  Vienna – PR
WÄLS Pilsen – Pilsen Bohemia – MG
WÄLS X-Wals – American Lager – MG

Os Novos Cervejeiros de Júpiter

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david na chopeira (divulgação)

No mundo da cerveja artesanal a maioria das empresas começa de maneira orgânica. Ou é um grupo de amigos que já aloprou testando formulas e formulas ou é uma família, normalmente dois ou três irmãos que, da brincadeira, passam para a coisa séria. Essa característica faz parte, principalmente, de uma nova geração de cervejeiros que sublocam espaços em fábricas já estabelecidas.

A Cervejaria Júpiter nasceu na casa dos Michelson depois de muita zona com panelas e lúpulos e maltes que David, o primogênito, fazia. Pouco a pouco, primeiro como pilotos de teste e depois com funções estabelecidas, Rafael e Alexandre foram mordidos pelo gosto e prazer de fazer cerveja artesanal.

Sua primeira criação foi lançada em julho de 2013 e logo conquistou os especialistas. Usando a fábrica da Dortmund, em Serra Negra, a Júpiter APA – American Pale Ale – mostrou personalidade não só no conteúdo da garrafa como também em seu rótulo. Obra também de David Michelson que resolveu abrir a Júpiter depois que foi demitido da revista Época, onde era editor de multimídia, num dos passaralhos que rolaram na grande imprensa. Ganhamos nós porque o cuidado gráfico da Júpiter faz com que a marca salte aos nossos olhos.

A Júpiter APA usa lúpulos americanos e passa pelo processo de dry hopping*  Ela não é filtrada e nem pasteurizada, no copo fica entre dourada e alaranjada e tem um aroma inconfundível, entre as nacionais. O toque cítrico do lúpulo usado nos faz pensar em maracujá, mas tudo é bem suave e equilibrado.  ABV 5,4 IBU 37

O segundo rótulo, Júpiter IPA – India Pale Ale – usa a técnica que a Dogfish Head criou e aprimorou. Chama-se lupulagem contínua e David explica o que é isso na entrevista abaixo. O toque refrescante comparece com aroma de limão e abacaxi e um final seco sempre pede outro gole. O rótulo é do mestre Ciro Bicudo e, além de bonito, traz informações preciosas para o consumidor. ABV 6,5 IBU 70

Lupulinas: Vocês são três irmãos tocando a Júpiter, certo? E chamaram o Vitor Marinho pra ser mestre cervejeiro?
David: Pra ser rigoroso, o Vítor não é exatamente um mestre cervejeiro, porque teria que ter cursos como especialista. Mas ele é uma grande promessa, um grande talento. É uma questão de tempo e mais anos de bagagem.

Lupulinas:  Logo no começo vocês já sentiram necessidade de engarrafar a cerveja? Digo isso porque é normal nos Estados Unidos, os artesanais ficarem anos só no barril.
David: Aqui a cervejaria tem que ter linha de envase porque a cultura de chopp no Brasil é muito incipiente. Por exemplo, na Irlanda, tipo 75% da cerveja É consumida em barril. No Brasil, eu precisaria ver o número certo, mas acho que é tipo menos de 5%.

Lupulinas: Vocês acham que é pela cultura ou também por causa do transporte e da logística?
David: É cultural. Primeiro que, por exemplo, pro sujeito servir chopp num bar precisa ter toda uma infraestrutura para os barris. A gente tem uma cultura de boteco, uma portinha só, e geralmente não tem espaço pra essa infra. Outra coisa é que a manutenção de chopeiras exige conhecimento e treinamento e as cervejarias pequenas não têm condições de bancar essa estrutura nos bares.

Lupulinas: E como foi a decisão de passar de uma produção caseira para uma cervejaria de fato, que envasa e vende suas cervejas?
David: Eu trabalhava na Época e, num ano fui eleito funcionário exemplar em 2010 e, no ano seguinte, durante um passaralho, fui demitido. A gente já fazia cerveja em casa, curtia muito fazer, fazia vários lotes e convidava uma galera pra experimentar e palpitar. Depois que eu fui demitido, em novembro de 2011, fiquei dois meses sem nenhum frila e, pra não pirar, resolvi ocupar todo o meu tempo fazendo cerveja: um dia eu brassava, no outro dia eu remendava equipamento, no outro eu desenhava o rótulo, no outro eu lavava garrafa, e tudo feito no panelão, em casa. Aí comecei a ler um monte de livro sobre produção, história das cervejarias, comecei a fazer as contas, ter umas idéias, chamei meus irmãos e disse: “acho que dá”. Depois, me inscrevi no curso do Senai (cervejeiro) em Vassouras, fiz um intensivão de um mês lá. Daí, quando cheguei, comecei a encher o saco do Vítor (que trabalhava na Cervejaria Nacional e hoje está na Dortmund) pra colaborar com a gente como consultor, pra fazer pequenos acertos nas receitas.

Lupulinas: Como está a produção de vocês?
David: A gente produz 1800 litros de APA por mês, desde que começamos, e continuamos assim. A IPA a gente produz um lote de 3000 litros de cada vez, mas não conseguimos ainda produzi-la com regularidade por questões técnicas e fabris (por isso ela some de vez em quando do mercado). Mas nós estamos aumentando os pontos de venda (cheque a página do site). A gente queria entrar no mercado com um preço super competitivo, com a garrafa custando 10 reais nos pontos de venda, mas a gente não conseguiu. E nós mesmos que distribuímos (por enquanto).

Lupulinas: Vocês produzem a APA na Cervejaria Dortmund, né?
David: Sim Elas saem da câmara refrigerada da Dortmund e um caminhão com isolamento térmico traz o lote para o nosso estoque refrigerado (e compartilhado com outras cervejarias), que fica em Itapevi. Agora a gente quer fazer um acordo com alguma distribuidora e ampliar nossos pontos de venda porque a gente só tem essa Kangoo com compartimento refrigerado pra dar conta da distribuição.

Lupulinas: As cervejas da Ambev não são transportadas por caminhões refrigerados, né?
David: Não. E nem são todas as importadoras que trabalham com carga refrigerada.

Lupulinas: E por que o transporte refrigerado é tão importante? Por causa do Lúpulo?
David: Sim, especialmente por causa do lúpulo. A cerveja que é transportada fresca não perde o sabor nem o aroma dos lúpulos.

Lupulinas: Vocês se inspiraram na Dogfish Head para fazer uma cerveja com lupulagem contínua?
David: Totalmente. Era uma brincadeira que a gente fazia nos lotes feitos em casa. A gente ficava lá que nem maluco, colocando um tiquinho de lúpulo a cada minuto da fervura. Quando passamos a produzir em cervejarias, continuamos com a lupulagem contínua, numa escala maior. Aliás, o Sam Calagione (cervejeiro da Dogfish) elaborou esse conceito da lupulagem contínua assistindo a um programa de culinária na TV. O apresentador dizia que, em vez de colocar os temperos todos na panela de uma vez, o lance era ir temperando a comida aos poucos, durante todo o processo, para extrair uma gama maior de sabores e aromas. A cerveja tem muito disso também: se vc coloca o lúpulo faltando uma hora pro fim da fervura, vc extrai amargor; a 20 min do final, vc extrai sabor; se vc adiciona o lúpulo no finzinho da fervura, vc extrai dele o aroma. Assim, o que o Calagione fez com a lupulagem contínua foi extrair todo tipo de sabores e nuances do lúpulo. A gente também faz hop tea que é um outro tipo de dry hopping. Na parte da maturação, fase em que normalmente se faz dry hopping, a gente faz tipo um chá de lúpulo a 60/70 graus para adicionar à cerveja.

Lupulinas: Quais são os planos para 2014? Vão fazer novos lançamentos?
David: Pro primeiro semestre, temos uma meia dúzia de lançamentos. Duas cervejas sazonais serão feitas em parceria com a Cervejaria Nacional, pra vender na torneira deles. Vamos lançar também uma witbier com tangerina pra talvez lançar no Festival de Blumenau. Vamos lançar tb duas cervejas com pimenta (uma com habanero e outra com chiplote) em parceria com a De Cabrón. Na última semana de março sai nossa session IPA, só nossa, sem parceria e será cerveja de linha como a APA e a IPA. Em julho, no aniversário de um ano, queremos lançar uma stout mais tradicional.

*dry hopping é a colocação de lúpulo durante a fermentação, maturação ou até mesmo no barril da cerveja. O lúpulo prensado é colocado dentro de uma bolsinha com tecido bem fino para que depois seja fácil de retirar. Quantidade e duração variam de acordo com a receita.

Yes, nós temos cervejas!

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fotos: cilmara bedaque

Muitos leitorxs nos perguntam qual é a cerveja boa. A resposta é muito difícil porque existem muitas cervejas sensacionais pelo mundo todo e, além disso, essa opinião envolve preferências e momentos. Sem contar que, enquanto escrevemos este post, mais e mais brejinhas estão sendo inventadas pelos mestres artesanais \o/

Um lugar na Vila Madalena nos chamou a atenção o ano passado porque, além de vender só cervejas artesanais brasileiras, o seu dono – Oliver Buzzo – traz com orgulho essa proposta no slogan do bar: De Bruer – 101 cervejas brasileiras.

Unindo o agradável com o melhor ainda ;) resolvemos conversar com o Oliver bebendo algumas brasileiras que, quando vocês encontrarem, não deixem de experimentar. É uma pequena lista com estilos diferentes de cerveja e que não pretende ser um ranking das melhores. É só a constatação que a artesanal brasileira está em um nível que não tínhamos há três anos.

Lupulinas: Bares especializados em cervejas artesanais normalmente oferecem também cervejas importadas. Seu bar é o único que conhecemos que vende apenas artesanais nacionais e inclusive faz disso um slogan.
Oliver: Essa proposta é única do Brasil, pelo que eu acompanho. Mas acho que esse ano mais um maluco resolve abrir um bar só de nacionais artesanais.

Lupulinas: E por que ninguém mais faz isso?
Oliver: Porque ninguém acreditava que era possível. Falei com muito dono de bar e os caras me falavam “cara, não é possível, o público quer cerveja importada e não existem tantas cervejas artesanais brasileiras boas como as importadas”. Eu abri o De Bruer no final de novembro de 2012 e naquela época era essa a realidade mesmo, havia poucas artesanais brasileiras.

Lupulinas: O que você fazia antes de abrir o bar?
Oliver: Eu era home brewer, mas nunca fui um bom cervejeiro (risos). Mas eu tava no meio da moçada. Eu criei uma webTV  (2011/12) e no meu tempo vago eu gravava em vídeo a atividade da moçada. Aí, porque eu estava no meio cervejeiro, eu saquei que tava muita coisa acontecendo e que viria muita cerveja artesanal brasileira em 2013 e que seria possível o bar viver disso. E foi o que aconteceu. Em meados de 2013 apareceu um monte de cerveja boa e o bar se sustenta apenas com as brasileiras.

Lupulinas: Uma das reclamações que a gente ouve dos produtores e também dos donos de bar (as duas pontas do negócio) é a distribuição precária. Como você percebe esse gargalo?
Oliver: Hoje, em São Paulo, capital, a distribuição está bem organizada. Só. Só existe um lugar no Brasil que você tem acesso às cervejas artesanais, principalmente brasileiras. Nem no Rio tem. Em Curitiba, onde a gente tem os maiores produtores de artesanais brasileiras, não tem uma cena de bares onde você possa tomar cerveja artesanal ou local. Todo mundo que tá distribuindo, tá em São Paulo. Mas é também porque o maior mercado consumidor de cervejas artesanais é aqui. Agora acho que a tendência é se espalhar para o resto do país.

Lupulinas: Nós somos um país enorme e existe essa “obrigação” de distribuir o produto para o Brasil inteiro, como faz a grande indústria. Mas isso meio que contradiz um conceito original da cultura cervejeira artesanal que é “consuma a cerveja local, da sua região”. O que você acha?
Oliver: Concordo. Mas aí conversando com os produtores, você ouve que “não conseguem vender” a cerveja que fabricam no local. Você vê uma cervejaria tipo Bamberg e nota que eles não conseguem vender para a população local, que não tem o hábito de artesanais. Aí a Bamberg manda tudo aqui pra São Paulo. São Paulo compra toda cerveja artesanal de Curitiba, um absurdo. Às vezes falta Bodebrown em Curitiba. E quando chega ao Rio, o preço é exorbitante.

Lupulinas (com o auxilio luxuoso de Pedro Alexandre Sanches): Você disse que em 2013 mudou tudo, mudou muito, como assim?
Oliver: Qual era o maior problema antes para as cervejarias artesanais? Pela legislação, os órgãos do governo não fazem distinção entre o cara que produz 100 mil litros de cerveja e um que produz 100 milhões. Então, para construir uma cervejaria, nossa, cara, você não acredita no nível de exigências que o governo faz. Tem que lidar com vários órgãos de governos nas três instâncias, municipal, estadual e federal. Uma loucura. Leva anos. Então, o que acontece? A produção de cerveja artesanal era um hobby muito caro. Se você olhar a 1ª geração de cervejeiros artesanais brasileiros, são todos “filhinhos de papai”, todos (sem querer desmerecer por isso). Porque o pai bancava, ou então era negócio da família de muitos anos. Custa milhões montar uma cervejaria, por causa do equipamento e da burocracia.
Em 2012 comecei a perceber uma segunda geração, de classe média, que queria entrar nesse negócio de fazer cerveja, mas que não tinha acesso. Esse pessoal, em 2013, encontrou um caminho, que é o cigano: eles alugam espaço ocioso em cervejarias que já existem e se tornam parceiros. Eles desistiram de brigar com os governos a cerca da carga tributária e passaram para esse esquema. Mas a questão burocrática depende também. Tem prefeituras que o cervejeiro conseguiu conversar com o poder local para conseguir incentivos e derrubar barreiras.

E foi assim. Temos assunto para muitos papos ainda e muita cerveja brasileira boa para experimentar. Vamos citar algumas que foram muito bem saboreadas naquela noite:

. Black Rye IPA (Bodebrown, PR)
Uma black IPA feita com malte de centeio tostado e que é um soco forte e seco. Uma preta que não é doce e é aromática. Não é rala, nem densa: o álcool diz “oi”, e os lúpulos, “beleza, fera”. Para beber lentamente. ABV 8,3  IBU 80

. Jan Kubis (Cervejaria DUM, PR)
Lançamento de 2013, uma lager sensacional da cervejaria curitibana DUM. Refrescante, leva muito malte de cubada e lúpulos cítricos. O nome é homenagem a um soldado tcheco que lutou na resistência contra a invasão nazista. ABV 5,3 IBU 52

. Green Cow IPA (Cervejaria Seasons, RS)
Provamos essa excelente IPA direto da torneira, durante o IPAday2013 em Riberão Preto. Agora, engarrafada e com um lindo rótulo fluorescente estampando uma vaca verde, ela continua deliciosa. Recomendamos.  ABV 6,2 IBU 62

. Hoppy Day (Cervejaria Tormenta, PR)
Em 2013 a Cervejaria Tormenta deixou de ser caseira para começar a engarrafar e distribuir. A Hoppy Day é uma Ale levíssima e refrescante (nos lembrou uma session IPA), com profusão de lúpulos cítricos e herbáceos. Passa por dry hopping. Com humor avisam no rótulo: “ATENÇÃO!  Como toda cerveja lupulada, ela deve ser consumida o quanto antes. Lúpulo fresco é sempre mais gostoso!” ABV 6,5 IBU 61

. 1000 IBU (Cervejaria Invicta, SP)
Não é novidade que a Invicta faz cervejas maravilhosas. Para comemorar dois anos de existência, a cervejaria se superou e lançou em 2013 a 1000 IBU, uma imperial IPA que é uma porrada de lúpulo. Surpreendentemente, o amargor da cerveja é bem distribuído e permanente, misturando-se muito bem ao álcool. ABV 8  IBU ? (embora mestres cervejeiros admitam q seja impossível um IBU acima de 100, o nome faz uma provocação a este horizonte infinito de amargor)

. Rauchbier (Cervejaria Bamberg, SP)
Rauchbier é na verdade um estilo de cerveja que, por tradição, leva maltes defumados, daí seu sabor que lembra levemente um bom pedaço de bacon. Esta rauch da Bamberg já ganhou muitos prêmios (inclusive  de segunda melhor rauch do mundo) e pode acompanhar uma feijoada ou um charuto (sério, já fizemos isso). ABV  5,2  IBU 25

. Witte (Cervejaria Wäls, MG)
Uma cerveja nacional de trigo feita à moda belga. De cor amarela, clara e turva, tem um sabor levemente cítrico e picante. Levíssima, é ideal para o verão e para acompanhar peixes e frutos do mar. ABV. 5 IBU 20

Ficou por último neste post, mas não é coisa pra ser deixada pra trás: a cozinha do De Bruer é excelente e faz a companhia perfeita para um bom papo, um lugar gostoso e cervejas com inúmeras possibilidades. Neste dia experimentamos um tapa delicioso e um hamburger de carne suína que fez nosso amigo Pedro Alex mais feliz \o/

DE BRUER

Rua Girassol, 825 – Vila Madalena – SP
Fone: (11) 3812 7031
Horário de funcionamento
Segunda a Quarta das 18:00h à Meia Noite
Quinta a Sábado das 16:00h à 01:00h
Domingo das 16:00h às 23:00h

 

Mensagem na Garrafa vol. 1

1 Comentario(s)
gonzo capa

Quem aprecia cervejas artesanais já reparou no capricho dos rótulos. Nós, Lupulinas, vamos além e somos apaixonadas também por alguns contra-rótulos e textos que acompanham as estampas, explicando a origem e a inspiração das cervejas que vamos beber. Alguns são engraçados, outros são curiosos e informativos e há também os que beiram o pedantismo. Tudo motivo para um sorriso, um assunto, uma distração à mesa.

Este post é apenas o primeiro de uma série falando sobre contra-rótulos que achamos interessantes. Para os próximos, aceitamos colaborações. É só mandar a foto e dizeres da cerveja para o email [email protected]

St. Rogue Red Ale – Dry Hopped (Rogue Brewery, Oregon, Estados Unidos)
“Fukutsuru (1992-2002) R.I.P.
Por trás de uma grande cerveja existe um mestre cervejeiro e por trás de um grande bife há um touro. Fukutsuru (Fuku para os íntimos) é este touro. Primeiro do ranking norte-americano no quesito marmoreio*, Fuku é um touro wagyu japonês que deixou uma imensa prole responsável pelo fornecimento da melhor carne Kobe dos EUA e que vai bem com a St Rogue Red.
Mais de 50.000 amostras do sêmen de Fuku estão congeladas para futuras inseminações. Em seus últimos dias de vida, deram a Fuku a chance de “socializar” com algumas vacas mais novas. Em vez disso, ele preferiu tirar uma soneca.
Nós dedicamos esta cerveja a Fuku – um desajustado (rogue) até o final.”

Wasatch Evolution Amber Ale (Utah Brewers Cooperative, Estados Unidos)
“Esta cerveja é parte do nosso protesto contra a tentativa da Assembléia Legislativa de Utah de obrigar o ensino do criacionismo nas escolas públicas. Acreditamos que Igreja e Estado devem permanecer separados, até mesmo em Utah. Esta amber ale apresenta um agradável início maltado, bem equilibrado com uma dose saudável de lúpulos Tettnanger. Foi engarrafada pela primeira vez em 2002 como cerveja não-oficial dos Jogos Olímpicos de Inverno.”

Paqui Brown (Cerveceria Tyris, Valencia, Espanha)
“Paquita Brown vive al limite. Sólo bebe cerveza sin filtrar, directa del fermentador. Paqui pasa lúpulo de contrabando, sólo las mejores cosechas. Esta botella contiene su receta favorita. Una brown ale, dulce, cremosa e intensa, monovarietal de Simcoe, sin tontérias. Paqui desfruta de cada cerveza como si fuera la última.”

X Black IPA / Hi5 (Cervejaria 2cabeças, RJ, Brasil)
“Sabe aquele dia que você quer receber uma porrada no paladar? Lembra daquelas cervejas sem graça que você conhece? Agora esqueça! Esta é uma cerveja escura e intensa, com doses cavalares de lúpulo americano e um toque de malte torrado que criam uma cerveja refrescante e única. NÃO É PARA OS FRACOS.”

Green Cow IPA (Seasons Craft Brewery, RS, Brasil)
“- de doce já basta a vida -
Arte e revolução em estado líquido. Uma American India Pale Ale feita com quantidades absurdas de lúpulo, produzida para quem gosta de amargor com frescor e sem frescura. Abrir em momentos onde tudo que você quer é fazer cara de “meu deus do céu, o que é isso!?”

Gonzo Imperial Porter (Flying Dog Brewery, Maryland, Estados Unidos)
“Certa vez Hunter S. Thompson disse “Quando a parada fica estranha, o estranho vira profissa”. Taí nossa versão profissa da Gonzo Imperial Porter. Envelhecida e maturada por três meses em barris de madeira de uísque, esta ale tem um sabor bem equilibrado e um exagero de personalidade. (…) Gente boa bebe cerveja boa.”

Tokyo (Brewdog Brewery, Escócia)
“Esta cerveja é inspirada no arcade Space Invaders, de 1980, sucesso na capital japonesa. A ironia do existencialismo, a paródia do ser e as contradições inerentes ao pós-modernismo sugeridas por esse game de ação foram cuidadosamente recriadas no conteúdo desta garrafa.

Biritis (Brassaria Ampolis, RJ, Brasil)
“Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum, seria um dos maiores brasileiros vivos se não nos tivesse deixado para se tornar um dos maiores brasileiros da História. Toda essa importância nunca foi ‘devidamente’ reconhecida. Até agora. A Biritis é mais que uma cerveja, é uma homenagem e um presente da família do Mussum – que tem cerveja na veia – para os apreciadores de uma boa risada e uma bela cerveja.”

Maria Degolada (Cervejaria Anner, RS, Brasil)
“Esta cerveja faz uma homenagem ao local onde a cervejaria Anner teve origem: a vila Maria da Conceição, em Porto Alegre, sul do Brasil, conhecida pela lenda da Maria Degolada. Maria Francelina Trenes foi degolada por ciúmes em 12 de dezembro de 1899 pelo seu namorado, um policial militar. No local de sua morte foi colocada uma lápide, onde ao redor cresceu a vila da Maria Degolada, protetora dos que tem problemas com a polícia e considerada uma santa pela população local.
- Agradeço pelas graças alcançadas – ”